Motorista de ônibus invadiu a calçada e não parou para socorrer a jovem. Rua está cheia de buracos, sendo que um deles está sinalizado com um sofá. Adolescente de 15 anos morre atropelada por ônibus que invadiu calçada no Engenho Novo
Imagens de câmeras de segurança do Hospital Vital, no Engenho Novo, na Zona Norte do Rio, mostram tentativa de socorro à jovem Alessandra Almeida da Silva, de 15 anos, na noite de terça-feira (11). Ela morreu após ser atropelada por um ônibus, na calçada da Rua Visconde de Santa Cruz, onde caminhava com a avó.
As imagens mostram funcionários levando uma maca e um colar cervical para a rua. Segundo o Hospital Vital – que fica próximo ao local do acidente – um médico que estava no plantão constatou uma suspeita de afundamento de tórax e crânio.
Mas o equipamento nem chegou a ser usado, pois uma ambulância do Samu havia chegado no local. Alessandra foi levada para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, na Zona Norte. Mas não resistiu aos ferimentos e morreu.
Cratera no local de atropelamento
O acidente ocorreu por volta das 20h30. Moradores contam que apesar do grande movimento, a Rua Visconde de Santa Cruz está cheia de buracos. No local onde Alessandra foi atropelada, existe uma cratera, segundo os moradores aberta há mais de 20 dias, depois de uma obra e que está sinalizada com um sofá.
Segundo testemunhas, o motorista do ônibus não parou para prestar socorro à vítima. Agentes da 25ª DP (Engenho Novo) estão em diligências nesta quarta-feira (12) para tentar identificar o motorista de ônibus da linha 639 (Jardim América – Saens Peña), do Consórcio Internorte. Os agentes também buscam imagens de câmeras de segurança para ajudar a entender o caso.
O Consórcio Internorte informou que já acionou as empresas responsáveis pela operação na região do atropelamento, a fim de reunir as informações necessárias que possam ajudar a investigação da polícia. Dados de GPS dos ônibus das linhas que passam pelo local do acidente e as imagens do circuito interno de vídeo dos coletivos estão sendo analisadas para serem fornecidas às autoridades policiais. Até o momento, o acidente não foi informado oficialmente às empresas.
A polícia também já ouviu uma testemunha. A placa do ônibus que atropelou Alessandra não foi anotada, mas uma pessoa conseguiu anotar a placa do ônibus da mesma linha que passou em seguida. E dessa forma, a polícia espera que a empresa identifique o motorista.
Alertados pelos gritos
De acordo com o diretor médico do Hospital Vital, Celso Coelho, a equipe foi alertada pelos gritos. “Uma senhora entrou no hospital e pediu a nossa ajuda. Nosso médico plantonista foi ao local que é aqui próximo. Chegou lá a paciente estava em agônica, começou manobras de massagens cardiopulmonar, solicitou que fossem buscar uma maca. Levaram maca, prancha e colar cervical”, detalhou o diretor.
A moradora Lídia Maria Bastos conta que funcionários do hospital ficaram com Alessandra até a chegada da ambulância.
“O médico do hospital veio. Ele não levou ela para lá. Mas o médico veio, trouxe a maca e ficou tempo todo ali com ela enquanto não chegou a ambulância. Só que a batida dela foi totalmente no rosto, e ela já saiu daqui praticamente morta”, contou a moradora.

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