Estrada em Iporanga, interior paulista, é repleta de pedras e buracos. Idoso enfrenta 50 minutos deitado em carrinho de mão para poder chegar até o local onde veículos conseguem passar. Idoso com câncer percorre 5 km em carrinho de mão até hospital por falta de acesso em estrada em Iporanga, SP
Um idoso com mobilidade reduzida, de 78 anos, morador de Iporanga, no interior de São Paulo, é obrigado a percorrer mensalmente cinco quilômetros deitado em um carrinho de mão para chegar até o hospital onde faz tratamento oncológico porque o trajeto de sua casa até a área urbana não permite a passagem de carros ou ônibus devido às más condições da estrada.
Na terça-feira (11), o aposentado José de Moura passou mal e teve que ser levado às pressas ao hospital. “Ele estava com muita dor no peito. Ele já não anda, então tem sempre que levar no carrinho”, afirma o neto do idoso, o repositor Leandro Santos Moura, de 24 anos.
José de Moura tem câncer na próstata e, uma vez por mês, é levado ao Hospital Regional Vale do Ribeira para tratamento oncológico. O hospital fica na cidade de Pariquera-Açu (SP), a 124 km da casa dele. O neto do idoso afirma que a família já pediu à prefeitura tanto o atendimento domiciliar quanto o transporte até o hospital, mas a solicitação não foi atendida.
“A prefeitura diz que não tem carros disponíveis. Quando pedimos atendimento domiciliar ficam sem resposta. Falam que vão mandar [médico] e não mandam”.
Ele diz que os próprios familiares levam o idoso até o hospital, o problema é que a estrada, que fica entre o bairro Serra do Iporanga e a comunidade Sítio Novo, é repleta de buracos e pedras que impedem a passagem de veículos. A alternativa encontrada foi levá-lo em um carrinho de mão – o trajeto, que ele percorre há mais de um ano nessa condição, leva aproximadamente 50 minutos.
Trajeto no carrinho de mão leva aproximadamente 50 minutos
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Leandro explica que, no caminho, José de Moura reclama de dores devido ao impacto dos buracos e do sobe e desce da estrada. “A estrada antigamente subia carro, mas só picape. Hoje não sobe carro. A gente vai na prefeitura, pede para tomarem uma atitude, e dizem que não tem máquina. A estrada é só buraco, volta e meia está caindo terra, fechando o caminho”.
Segundo o neto, em 2017, quando o avô sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), ele teve que percorrer a estrada carregado em um lençol de cama.
“Além de passarem pessoas idosas nessa estrada, também passam muitos estudantes. Você tem que ver o que vira essa estrada quando chove. Se com o tempo bom já está ruim, imagina quando chove como fica essa estrada”.
Além de melhorias na estrada, ele reclama do fato de o avô não conseguir ser atendido em casa. “Eu acho que o correto seria ter visitas domiciliares. Não ter esse negócio de ficar passando por esses maus bocados. Isso é uma pouca vergonha”.
Procura pelo G1, a assessoria de imprensa do Hospital Regional Vale do Ribeira informou que o transporte deve ser solicitado pelo município. A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Iporanga, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.
Após trajeto em carrinho de mão, idoso segue no carro da família até o hospital, que fica a 124 km da casa dele
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