Delegado disse que deve avaliar a necessidade do procedimento após conversar com legistas. Ela morreu 9 dias após ser internada; hospital afirma que atendeu pedidos da polícia. Força-tarefa que apura morte de jovem estuprada em UTI pode pedir exumação do corpo, em GO
A força-tarefa que apura a morte da estudante Susy Nogueira pode pedir a exumação do corpo dela para novos exames, em Goiânia. O delegado que chefia as investigações, Washington da Conceição, disse que o procedimento é uma opção que deve ser avaliada com legistas.
A jovem de 21 anos morreu dias após ser internada e denunciar que foi abusada por um técnico em enfermagem enquanto estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O homem suspeito do crime se entregou à Polícia Civil e está preso.
“Podemos conversar com o médico legista e agilizar, se for necessário. Porque estamos trabalhando com afinco na questão da causa mortis [causa da morte]. Se for necessário, vamos representar pela exumação do corpo dela”, garantiu o delegado.
Susy Nogueira Cavalcante, de 21 anos morreu após ser estuprada em hospital de Goiânia
Reprodução/TV Anhanguera
O investigador agora tem apoio de mais dois delegados para ajudá-lo na investigação. Ele disse que já foram ouvidas 11 pessoas e outras 20 devem prestar depoimento. Entre aqueles que serão intimados estão pessoas de dentro e de fora do hospital, que já haviam acompanhado a vítima em internações anteriores, entre outros.
O que diz o hospital
A empresa que administra a UTI do Hospital Goiânia Leste, onde Susy estava internada quando morreu, é a Organização Goiana de Terapia Intensiva (OGTI). O advogado que os representa, Márcio Macedo, disse que a direção fez uma apuração interna, informou à Polícia Civil sobre o possível estupro e atendeu a um pedido da corporação de manter sigilo para não atrapalhar as investigações.
“Foram identificadas imagens que seriam sugestivas de um procedimento inadequado, só que a avaliação da UTI é que isso deveria ser informado inicialmente à polícia. Isso foi feito, as imagens foram encaminhadas para a polícia, os representantes da UTI prestaram declarações e foi solicitado que essa questão fosse mantida em sigilo para não atrapalhar as investigações”, explicou.
Ainda em entrevista exclusiva à TV Anhanguera, o advogado disse que não poderia dar detalhes do prontuário médico, mas que a paciente teve uma intercorrência na primeira noite da internação que exigia que ela fosse transferida para a UTI.
Ele explicou ainda que a jovem não foi entubada imediatamente depois do momento em que teria ocorrido o estupro, mas sim horas depois, também devido a uma piora no quadro dela.
Técnico em enfermagem que se entregou suspeito de estuprar paciente
Polícia Civil/Divulgação
Investigação
Os pais da Susy estiveram na manhã de terça-feira (11) na delegacia regional e prestaram depoimentos entre 8h30 e 12h. Eles foram ouvidos pelo delegado Washington.
“Eles estão muito abalados ainda. A mãe dela chorou muito no depoimento. Contaram que, durante as visitas, percebiam que ela queria falar alguma coisa, mas que não conseguia por estar entubada, e as lágrimas escorriam no rosto dela”, informou o delegado.
Ainda segundo Washington, o casal reafirmou a versão de ter tomado ciência dos abusos durante o velório da vítima. Os pais afirmaram também que aquela foi a primeira vez que a jovem foi internada no Hospital Goiânia Leste e que a levaram ao local por ser a unidade de saúde mais próxima.
Outro inquérito policial sobre a investigação do abuso sexual já foi concluído. O técnico em enfermagem foi indiciado pelo crime de estupro de vulnerável após ser flagrado por uma câmera abusando da jovem que, segundo a polícia, ainda tentou reagir. Ele nega o crime.
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