Na semana passada, MPF recomendou que empresa crie plano emergencial para barragem de rejeitos. Obras são realizadas para evitar rompimento de barragem em Caldas (MG)
Uma reunião do Comitê da Bacia Hidrográfica dos Afluentes Mineiros dos rios Mogi-Guaçu e Pardo definiu nesta sexta-feira (14) em Poços de Caldas (MG) que uma comissão irá pedir uma visita técnica às Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Caldas (MG). Na semana passada, o Ministério Público Federal recomendou que a empresa crie um plano emergencial para a barragem de rejeitos existente na cidade.
Representantes de 27 cidades do Sul de Minas, do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), da Superintendência Regional de Meio Ambiente (Supram), Corpo de Bombeiros e também da INB participaram do encontro.
“Passou da hora da gente poder saber realmente o que está acontecendo, porque a gente vive do lado dela e a gente não sabe nem um plano de emergência, se existe ou se não existe. E se existe, o que a gente deveria fazer em uma hora de emergência”, diz o vice-prefeito de Andradas (MG), João Luiz Magalhães Teixeira.
A mineração em Caldas durou de 1982 a 1995. A atividade no local já não era economicamente viável, segundo a INB. Hoje, no local, só funciona uma parte administrativa, mas foram mantidas a represa de Águas Claras, de onde era retirada a água para extração e a barragem de rejeitos. Ela é do tipo enrocamento, revestida de concreto.
Segundo um estudo da Universidade Federal de Ouro Preto (MG), o sistema extravasor dela está comprometido, já que apresentou infiltrações que aumentam a possibilidade de ruptura.
“Se constatou, no dia 25 de setembro, na saída desse extravasor, a água um pouco turva, água essa que deveria estar cristalina. Isso foi prontamente registrado, foi informado às autoridades competentes, a Cnen, o Ibama, e oportunamente ao Ministério Público Federal”, explica Carlos Freire, presidente da INB.
O volume de rejeitos tem cerca de um sexto da quantidade de Brumadinho. Por ser em uma área mais afastada, os danos maiores seriam ao meio ambiente, com a contaminação de rios e ribeirões. Segundo o presidente da INB, eles já tinham detectado o problema e as obras de reparo começaram bem antes da tragédia de Brumadinho.
“Pegamos as recomendações das universidades, dos especialistas, e prontamente contratou-se uma empresa para seguir e implementar essas instruções. E é o que está em andamento”, diz Freire.
Segundo o MPF, a INB precisa informar a população da região sobre os riscos e a segurança a ser tomada com o rompimento da barragem. Um estudo emergencial está sendo concluído.
A Prefeitura de Caldas havia montado uma comissão para cobrar esclarecimentos da INB e agora os moradores poderão ter acesso à barragem para testar pessoalmente a segurança.
“O que o povo quer saber é que doença que traz e até onde vai chegar essa radiação, o tempo de evacuação do povo da cidade. É isso que o povo quer saber”, afirma o vendedor Sandro da Silva.
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